Nos últimos anos, a ciência tem revisitado substâncias antes restritas ao uso recreativo para buscar soluções contra transtornos mentais graves. O uso da psilocibina (composto ativo dos “cogumelos mágicos”) e de outros psicodélicos como o LSD e o DMT está no centro de uma discussão ética e regulatória no Reino Unido, com potencial de impactar a medicina em todo o mundo.
De um lado, pacientes relatam curas “milagrosas“; do outro, especialistas alertam para os perigos de experiências traumáticas e a falta de dados sobre o uso a longo prazo.
O Poder Terapêutico da Psilocibina: Relatos de Transformação
Para muitos que sofrem de depressão resistente a tratamentos convencionais, os psicodélicos surgem como uma última esperança. É o caso de pacientes que, sob supervisão clínica, experimentaram a psilocibina. Relatos frequentes descrevem uma “sensação de paz inédita” e a interrupção de pensamentos suicidas.
Diferente dos antidepressivos comuns, que podem levar semanas para apresentar resultados, estudos sugerem que a psilocibina pode “reconfigurar” áreas do cérebro associadas à depressão em questão de minutos, oferecendo um alívio muito mais veloz.
Benefícios Potenciais em Estudo:
- Depressão Grave: Eficácia comparável aos medicamentos tradicionais, com menos efeitos colaterais.
- Tratamento de Vícios: Pesquisas com DMT indicam que a substância pode ajudar a quebrar ciclos de dependência em álcool e jogos.
- TEPT e Ansiedade: Redução de traumas profundos através de sessões guiadas por psicoterapeutas.
O Lado Sombrio: “Bad Trips” e Riscos Psicológicos
Nem todas as experiências com psicodélicos são positivas. O Projeto de Experiências Psicodélicas Desafiadoras aponta que mais de 50% dos usuários regulares já enfrentaram “viagens” aterrorizantes.
Jules Evans, diretor do projeto, alerta que o uso sem o devido suporte pode resultar em:
- Crises de pânico e ansiedade social severa.
- Flashbacks traumáticos.
- Pensamentos de auto-flagelação em cerca de 6,7% dos casos desafiadores.
A grande dificuldade para os reguladores é separar o efeito químico da droga do contexto da terapia, já que o ambiente e o estado emocional do paciente influenciam diretamente o resultado.
O Futuro no Sistema Público de Saúde (NHS)
Atualmente, drogas como a psilocibina e o MDMA são ilegais no Reino Unido para fins medicinais, permitidas apenas em pesquisas rigorosas. No entanto, instituições como o Imperial College de Londres pressionam por mudanças.
O professor David Nutt, uma das maiores autoridades no assunto, defende que manter barreiras contra essas pesquisas é uma “falha moral”, já que milhares de pessoas sofrem sem acesso a novos tratamentos. A expectativa agora gira em torno dos resultados de grandes testes clínicos da empresa Compass Pathways, que podem ser o divisor de águas para a reclassificação dessas substâncias.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O uso de cogumelos medicinais já é permitido?
Não para uso geral. No Brasil e no Reino Unido, substâncias psicodélicas só podem ser utilizadas em testes clínicos autorizados por órgãos de saúde.
Qual a diferença entre uso recreativo e terapêutico?
O uso terapêutico ocorre em doses controladas, com substâncias puras (sem contaminantes) e sempre acompanhado por profissionais de saúde que ajudam o paciente a processar a experiência.
O SUS britânico (NHS) vai oferecer esse tratamento?
Ainda não há previsão. Médicos e cientistas aguardam evidências mais robustas sobre a segurança a longo prazo antes que o tratamento se torne rotina na rede pública.
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