Lesões nos lábios e na cavidade oral são relativamente comuns e podem ter causas simples, como traumas ou aftas, mas também podem indicar infecções sexualmente transmissíveis ou até câncer. Saber reconhecer sinais de alerta é fundamental para buscar atendimento precoce e evitar complicações.
Entre as principais lesões que geram dúvida estão a úlcera sifilítica, a úlcera herpética e a úlcera maligna. Apesar de todas poderem surgir nos lábios, elas apresentam características clínicas distintas que ajudam na diferenciação inicial. No entanto, somente avaliação profissional e exames específicos confirmam o diagnóstico.
Úlcera sifilítica: geralmente indolor e única
A úlcera sifilítica é a lesão típica da fase primária da sífilis, infecção causada pela bactéria Treponema pallidum. Ela costuma surgir no local de contato com a bactéria, que pode incluir lábios, língua e outras regiões da boca.
Uma das principais características é ser, na maioria das vezes, indolor. Trata-se geralmente de uma lesão única, com bordas bem definidas, aspecto arredondado e base endurecida. Essa consistência firme ao toque é um detalhe importante na avaliação clínica.
Por não causar dor, muitas pessoas ignoram a lesão e não procuram atendimento. O problema é que, mesmo sem dor, a sífilis é altamente transmissível nessa fase. Além disso, se não for tratada adequadamente, pode evoluir para estágios mais graves, com comprometimento sistêmico.
O diagnóstico é feito por avaliação clínica associada a testes laboratoriais. A sífilis tem tratamento eficaz, especialmente quando identificada precocemente.
Úlcera herpética: dolorosa e recorrente
A úlcera herpética é causada pelo vírus herpes simples, geralmente o tipo 1 (HSV-1). Diferentemente da lesão sifilítica, ela costuma ser dolorosa e pode vir acompanhada de ardência, formigamento e sensibilidade local antes mesmo da ferida aparecer.
Em geral, o quadro começa com pequenas vesículas (bolhas) agrupadas, que se rompem e formam pequenas úlceras superficiais. Pode haver mais de uma lesão ao mesmo tempo. A dor pode dificultar a alimentação, a fala e até o toque na região.
Outro ponto importante é que o herpes tende a ser recorrente. Fatores como estresse, febre, baixa imunidade e exposição solar podem desencadear novas crises.
O tratamento não elimina definitivamente o vírus, mas reduz a duração e a intensidade dos sintomas. O acompanhamento profissional é importante, principalmente em pessoas com imunidade comprometida.
Úlcera maligna: não cicatriza e pode sangrar facilmente
A úlcera maligna é uma lesão associada, em muitos casos, ao câncer de boca, especialmente o carcinoma espinocelular. Diferente das lesões infecciosas, a principal característica de alerta é a persistência.
Uma ferida que não cicatriza em até 14 dias deve ser investigada. Lesões malignas podem apresentar bordas irregulares, endurecimento ao redor, crescimento progressivo e sangramento fácil, mesmo com pequenos traumas.
A dor pode estar presente ou não, o que significa que ausência de dor não exclui gravidade. Em alguns casos, a lesão pode parecer inicialmente discreta, o que reforça a importância da avaliação profissional ao notar qualquer alteração persistente.
O diagnóstico precoce é determinante para o prognóstico. Quanto mais cedo identificado, maiores são as chances de tratamento eficaz e menor o impacto funcional.
Quando procurar atendimento
Qualquer lesão na boca ou nos lábios que apresente uma das seguintes características merece avaliação:
- Não cicatriza após duas semanas
- Aumenta de tamanho
- Sangra com facilidade
- Apresenta endurecimento ao redor
- Está associada a dor intensa ou recorrência frequente
A autoavaliação não substitui exame clínico. Dentistas, médicos e enfermeiros capacitados podem orientar a conduta adequada e solicitar exames complementares quando necessário.
Informação salva vidas
Diferenciar úlcera sifilítica, herpética e maligna é essencial para não banalizar sinais importantes. Enquanto algumas lesões são tratáveis e autolimitadas, outras exigem intervenção rápida para evitar complicações graves.
A orientação principal é clara: qualquer alteração persistente na cavidade oral deve ser avaliada. O diagnóstico precoce faz toda a diferença, tanto em infecções quanto em doenças oncológicas.
A informação correta é uma das principais ferramentas de prevenção em saúde.

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