Polícia investiga esquema de homicídios dentro de UTI no Distrito Federal

Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal revelou um dos casos mais graves já registrados dentro de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no país. Três técnicos de enfermagem foram presos suspeitos de participação direta em pelo menos três homicídios cometidos dentro de um hospital particular de Taguatinga, no Distrito Federal. As mortes ocorreram em um curto intervalo de tempo e levantaram alertas nacionais sobre segurança do paciente e controle de acesso a sistemas hospitalares.

Segundo as autoridades, os crimes teriam ocorrido entre novembro e dezembro do ano passado, em um período aproximado de duas semanas. As vítimas são uma professora aposentada de 75 anos e dois servidores públicos, de 63 e 33 anos, todos internados na UTI e em condição de extrema vulnerabilidade clínica.


Hospital identificou irregularidades e acionou a polícia

As suspeitas surgiram após o próprio hospital perceber padrões incomuns nas mortes. Diante das inconsistências, a instituição decidiu demitir os três profissionais envolvidos e comunicar oficialmente a Polícia Civil, o que deu início a uma investigação detalhada.

A apuração incluiu:

  • Análise de prontuários médicos
  • Coleta de depoimentos de testemunhas
  • Avaliação de imagens de câmeras de segurança
  • Verificação de acessos ao sistema eletrônico de prescrição médica

As imagens analisadas incluíam registros de dentro da própria UTI, o que foi fundamental para o avanço do inquérito.


Uso indevido de sistema médico e aplicação de substâncias letais

De acordo com a investigação, o principal suspeito, um técnico de enfermagem de 24 anos, teria aproveitado o fato de um computador hospitalar permanecer logado no sistema médico. Sem autorização, ele acessava o sistema de prescrição, se passando por médicos, e incluía medicações que não haviam sido prescritas oficialmente.

Após a prescrição irregular, o suspeito:

  • Ia até a farmácia do hospital
  • Retirava os medicamentos
  • Preparava as substâncias
  • Escondia os materiais no jaleco
  • Aplicava diretamente na veia dos pacientes

Em um dos casos mais graves, a polícia apurou que um desinfetante foi injetado por cerca de 10 vezes em uma das vítimas, mesmo diante da resistência do paciente.


Parada cardíaca e simulação de atendimento de emergência

As autoridades explicaram que qualquer profissional da saúde sabe que as substâncias utilizadas não podem ser aplicadas por via intravenosa, pois provocam parada cardíaca quase imediata.

Após a aplicação, os técnicos:

  • Aguardavam a reação do paciente
  • Observavam a evolução clínica
  • Em seguida, participavam das tentativas de reanimação

Segundo a polícia, esse comportamento tinha o objetivo de criar a falsa impressão de uma intercorrência clínica natural, dificultando a identificação do crime.


Participação e omissão de outras profissionais

As investigações indicam que o técnico principal não agia sozinho. Duas técnicas de enfermagem teriam conhecimento da substância utilizada, sabiam dos riscos e não intervieram, mesmo cientes de que a aplicação poderia levar à morte.

Em alguns episódios, o técnico estava acompanhado de ambas; em outros, apenas de uma delas. Para a polícia, a conduta das profissionais foi considerada negligente e conivente, o que fundamentou as prisões.


Prisão temporária e possíveis novos casos

Os três técnicos de enfermagem foram presos pela Coordenação de Repressão a Homicídios e estão em prisão temporária por 30 dias. Eles devem responder por homicídio doloso qualificado, caracterizado por:

  • Intenção de matar
  • Uso de meio que provocou sofrimento
  • Condição de vulnerabilidade das vítimas, que não tinham como se defender

A Polícia Civil ainda investiga se existem outros casos semelhantes, tanto nesse hospital quanto em outras unidades de saúde onde os profissionais já atuaram. Um dado que chama atenção é que todas as vítimas apresentavam obesidade mórbida, fator que também está sendo analisado pelos investigadores.


Caso gera indignação e debate nacional

O caso causou forte comoção e indignação. Especialistas e autoridades destacam que episódios como esse representam uma ruptura profunda da ética na saúde, além de evidenciar falhas críticas na segurança digital, na fiscalização de equipes e no controle de processos assistenciais.

As investigações continuam, e novas informações devem ser divulgadas nos próximos dias.

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