Mudanças no estilo de vida são chave no tratamento da gordura no fígado

A esteatose hepática, popularmente conhecida como gordura no fígado, tornou-se uma das condições metabólicas mais frequentes no Brasil. Estima-se que cerca de 30% a 40% da população adulta conviva com algum grau de acúmulo de gordura no órgão.

Embora a ciência busque fármacos específicos, o consenso entre endocrinologistas e hepatologistas é claro: a cura mora na mudança de hábitos.

O “Remédio” mais eficaz não está na farmácia

De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM-SP), o tratamento padrão-ouro para a gordura no fígado é a modificação do estilo de vida. Diferente de outras doenças, a reversão da esteatose depende diretamente do gerenciamento do peso e da alimentação.

“A ciência comprova que perder apenas 7% do peso corporal já é o suficiente para trazer benefícios significativos à saúde do fígado”, explica a endocrinologista Marília Bortolotto.


A gordura no fígado é frequentemente chamada de “doença silenciosa”. Em estágios iniciais, ela não apresenta sinais claros, mas se não tratada, pode evoluir para inflamações graves, cirrose e até câncer.

Sinais de alerta que merecem atenção:

  • Fadiga crônica e fraqueza sem causa aparente;
  • Desconforto ou leve pressão no lado direito superior do abdômen;
  • Náuseas constantes e perda de apetite;
  • Aumento de enzimas hepáticas detectado em exames de sangue.

8 Hábitos essenciais para “limpar” o fígado

A boa notícia é que o fígado tem uma capacidade regenerativa incrível. Com disciplina, os resultados aparecem entre 3 a 6 meses. Confira o guia prático para reverter o quadro:

  1. Priorize “Comida de Verdade”: Baseie sua dieta em legumes, verduras, grãos integrais e proteínas magras (peixes, ovos e aves).
  2. Reduza Açúcares e Refinados: Refrigerantes, doces e pães brancos são os maiores vilões, pois aceleram o acúmulo de gordura visceral.
  3. Controle o Álcool: Mesmo em doses pequenas, a bebida sobrecarrega o fígado já debilitado.
  4. Atividade Física Combinada: Una exercícios aeróbicos (caminhada, natação) com treinos de força (musculação) para otimizar a queima de gordura.
  5. Perda de Peso Gradual: Evite dietas radicais. O emagrecimento sustentável é mais seguro para o metabolismo hepático.
  6. Higiene do Sono: Dormir mal desregula hormônios metabólicos, dificultando a eliminação da gordura.
  7. Cuidado com a Automedicação: Cuidado com “chás milagrosos” ou suplementos sem orientação; alguns podem ser tóxicos para o fígado.
  8. Monitoramento Clínico: Acompanhe níveis de glicose, colesterol e pressão arterial, pois essas condições costumam andar juntas.

O papel do acompanhamento médico

O hepatologista Henrique Rocha, do Hospital Brasília Águas Claras, reforça que o diagnóstico deve ser acompanhado de perto por especialistas.

“É fundamental que o paciente tenha metas realistas e uma avaliação personalizada para verificar como o órgão está respondendo às mudanças”, afirma.


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