Do caso
Conhecido e respeitado no cenário médico do Espírito Santo, o cardiologista Victor Murad, de 90 anos, sofreu o trauma de ter sido envenenado pela secretária, Bruna Garcia, há cerca de um ano. A possível tentativa de homicídio teria ocorrido para ocultar uma fraude financeira que estaria acontecendo há mais de 10 anos. Bruna trabalhava para o médico desde 2013, por recomendação da mãe, uma antiga funcionária que trabalhava como faxineira há mais de 20 anos para Victor. Por conta desse vínculo, o médico acreditou inteiramente na secretária, que tinha controle total sobre suas finanças, e a vítima não utilizava ferramentas digitais como o PIX para as suas transações econômicas.
“Confiava cegamente nela, foi esse meu mal. Acreditava nela, ela encanta qualquer um. É uma serpente” desabafa Victor Murad.
Da fraude
Segundo as investigações, Bruna desviou mais de R$ 500 mil por 12 anos, através de transferências e empréstimos bancários não autorizados. Tudo isso foi para bancar uma vida luxuosa, com viagens à Disney, estadias em hotéis 5 estrelas e passeios de barco – enquanto Victor via seu patrimônio diminuir sem explicação. Ano passado, o médico e sua esposa foram fazer uma operação bancária quando descobriram que o saldo era insuficiente. O gerente, ao ser questionado, disse que o cliente “gastava demais”, sendo que, na realidade, o dinheiro estava sendo usado para bancar a vida dourada da secretária.
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O envenenamento
O Ministério Público afirma que Bruna passou a envenenar o médico quando os desvios estavam prestes a ser descobertos. O elemento usado foi o arsênio, uma substância altamente tóxica que pode causar arritmia, anemia e morte. A intenção da secretária seria usar uma cortina de fumaça e ocultar a responsabilidade pelos crimes financeiros através da morte da vítima. Enquanto Bruna ostentava uma vida de luxo, a saúde de Victor ia declinando cada vez mais, segundo ele: “Eu estava piorando e não sabia o porquê. Cheguei a vomitar sangue. Fiquei com anemia, fraqueza nas pernas e meu tremor de Parkinson aumentou drasticamente”. Devido ao agravamento do mal-estar, Victor Murad precisou fechar o consultório que mantinha há mais de 30 anos.
Segundo as investigações da polícia, o veneno era misturado à comida e água de coco, que eram servidos na clínica.
A suspeita de crime surgiu após a demissão de Bruna, quando uma funcionária encontrou um frasco de arsênio escondido em uma sala de depósito da clínica. Como o arsênio é eliminado rapidamente pelo organismo, principalmente pelo sangue e pela urina, a perícia teve que usar fios de cabelo do Victor, que comprovaram que ele realmente estava sendo exposto à substância por cerca de um ano e três meses.
A polícia também descobriu que o veneno foi comprado em nome do marido de Bruna – embora tenha sido concluído que ele não sabia que a própria esposa estava usando os seus dados para a compra.
Da justiça
Bruna Garcia está presa desde outubro do ano passado e deve ser levada a júri popular para responder por tentativa de homicídio qualificado e fraude financeira. O advogado de defesa, James Gouveia, nega todas as acusações afirmando que “ter um laudo que foi envenenado não comprova que Bruna o envenenou. Pode ter sido outra pessoa, pode ter sido acidental. Ela afirma que toda a movimentação financeira era de conhecimento e autorizada pelo médico. Vou dizer que ela é inocente, o processo foi mal investigado, o processo foi mal conduzido pela acusação”.
O médico Victor Murad, um dos fundadores da Sociedade de Cardiologia do Espírito Santo, continua em recuperação em sua casa, esperando que o caso vá a júri popular. Ele desabafa: “Sempre a tratei como se fosse uma filha minha, e ela tentando me matar. Ela te mata sorrindo”.
Fotos: Reprodução / TV Globo.
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