Mato Grosso ultrapassou a marca de 900 notificações de HIV em 2025 e intensificou as ações de prevenção às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) durante o período de Carnaval. Dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) apontam 946 casos de HIV e 436 casos de Aids no estado ao longo de 2025.
Além do HIV/Aids, a SES também informou a confirmação de mais de 600 casos de hepatites virais no mesmo período. No detalhamento apresentado, foram registrados 17 casos de hepatite A, 461 de hepatite B e 175 de hepatite C.
Por que o Carnaval aumenta o alerta para ISTs
O período de festas costuma acender o sinal de atenção das autoridades sanitárias por um motivo claro: grandes aglomerações, encontros casuais, aumento do consumo de álcool e menor adesão ao uso de preservativo podem favorecer comportamentos de risco. Isso não significa que “Carnaval causa IST”, mas que o contexto pode facilitar a exposição quando faltam medidas de prevenção.
Outro ponto importante é que a elevação de registros também pode estar relacionada ao aumento da testagem e à busca por diagnóstico. Em outras palavras, quando mais pessoas fazem exames, mais casos são detectados e entram nas estatísticas. Ainda assim, os números reforçam a importância de ações preventivas e de informação clara para a população.
O que a Secretaria de Saúde está reforçando
A SES orienta que o preservativo masculino e o preservativo feminino seguem como as principais formas de prevenção contra ISTs e também contra gravidez não planejada. A secretaria também lembra que as unidades básicas de saúde distribuem preservativos gratuitamente para a população.
A recomendação é reforçada porque muitas ISTs podem permanecer sem sintomas por um período, o que facilita a transmissão sem que a pessoa perceba. Mesmo assim, quando sinais aparecem, é fundamental buscar atendimento. Entre os sintomas que merecem atenção estão:
- Corrimentos anormais.
- Feridas na região genital, boca ou outras áreas.
- Verrugas.
- Dor no corpo.
- Mal-estar e febre.
- Ardência ao urinar.
- Coceira persistente.
- Ínguas (caroços) e inflamações.
Prevenção combinada: não é só camisinha
Hoje, a prevenção é mais eficiente quando combina estratégias, porque cada uma cobre situações diferentes. Na prática, isso significa que, além do preservativo, entram medidas como testagem, vacinação e profilaxias para reduzir o risco de transmissão.
1. Testagem regular e diagnóstico precoce
Fazer testagem para HIV e outras ISTs é uma das medidas mais importantes, porque permite identificar infecções cedo, iniciar tratamento e reduzir a chance de transmissão. Muitas pessoas só descobrem depois de semanas ou meses, justamente porque não sentem nada no começo.
2. PEP: prevenção após possível exposição (até 72 horas)
Quando existe um risco real de exposição ao HIV, há a possibilidade de usar a PEP, que é uma profilaxia pós-exposição. O ponto decisivo é o tempo: ela precisa ser iniciada o quanto antes, com limite máximo de 72 horas após a situação de risco. O uso é por um período definido, com acompanhamento e exames.
3. PrEP: prevenção antes da exposição para quem tem maior vulnerabilidade
Para pessoas com maior risco de exposição frequente ao HIV, existe a PrEP, uma profilaxia pré-exposição. É uma estratégia preventiva contínua, indicada após avaliação em serviço de saúde, com acompanhamento periódico e testagens.
4. Vacinação e prevenção de hepatites e HPV
Como Mato Grosso também registrou centenas de casos de hepatites virais em 2025, a checagem da vacinação, especialmente para hepatite B, ganha ainda mais relevância. A vacina é uma forma robusta de proteção e deve estar em dia conforme o calendário. Além disso, a prevenção do HPV envolve vacinação e sexo seguro, já que o vírus pode causar lesões e, em alguns casos, está associado a cânceres.
O que fazer na prática: guia rápido para o Carnaval
- Use preservativo em todas as relações (inclusive no sexo oral) e leve mais de um para evitar “improvisos”.
- Evite decisões no impulso quando houver consumo de álcool ou outras substâncias; combine limites antes e priorize sua segurança.
- Se acontecer uma relação sem preservativo ou outra situação de risco, procure atendimento imediatamente para avaliação. O tempo faz diferença.
- Faça testagem depois do período de exposição, respeitando a janela indicada pelo serviço de saúde.
- Se você tem risco frequente, procure orientação sobre PrEP e acompanhamento regular.
- Ao notar sintomas como feridas, verrugas, corrimento, dor ou febre sem causa definida, procure uma unidade de saúde e evite relações desprotegidas até ser avaliado.
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