Lipedema: o que são os gatilhos inflamatórios da doença crônica reconhecida pela OMS

O lipedema é uma doença crônica de origem vascular, reconhecida oficialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que afeta predominantemente mulheres e compromete de forma significativa a qualidade de vida. A condição é caracterizada pelo acúmulo desproporcional e doloroso de gordura, principalmente em pernas e braços, geralmente de forma simétrica.

Entre os sintomas mais comuns estão inchaço persistente, dor espontânea ou ao toque, sensibilidade aumentada e facilidade para o surgimento de hematomas, mesmo sem traumas aparentes. Em muitos casos, há também limitação funcional, sensação de peso nos membros e dificuldade de mobilidade.

Apesar de seu reconhecimento internacional, o lipedema ainda é frequentemente confundido com obesidade ou tratado apenas como uma questão estética, o que contribui para o atraso no diagnóstico e no início do tratamento adequado.

Dados sobre a prevalência do lipedema no Brasil e no mundo

Estimativas da OMS indicam que o lipedema acomete entre 10% e 18% das mulheres em todo o mundo. No Brasil, mais de 10 milhões de mulheres podem conviver com a doença, segundo dados do Instituto Lipedema Brasil e da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular.

O subdiagnóstico ainda é um dos principais desafios, especialmente porque não existe um exame específico capaz de confirmar a doença de forma isolada, o que exige conhecimento clínico especializado.

Gatilhos inflamatórios e hormonais associados ao lipedema

Embora exista uma predisposição genética, especialistas apontam que o desenvolvimento e a progressão do lipedema estão diretamente relacionados a gatilhos inflamatórios e hormonais. Esses fatores costumam atuar de forma silenciosa, intensificando os sintomas ao longo do tempo.

De acordo com a nutróloga Giovanna Spagnuolo Brunello, formada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e pós-graduada em Nutrologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein, diversos elementos do estilo de vida moderno contribuem para o agravamento da doença.

Principais fatores que podem agravar o lipedema

Entre os gatilhos mais frequentemente associados à piora do quadro clínico estão:

  • Alterações hormonais significativas
  • Inflamação crônica de baixo grau
  • Estresse físico e emocional prolongado
  • Ganho de peso rápido
  • Sedentarismo
  • Alimentação rica em ultraprocessados

Segundo a especialista, muitas pacientes não percebem que esses fatores estão diretamente relacionados ao aumento da dor, do inchaço e da sensibilidade nos membros.

Alterações hormonais como fator-chave da doença

As primeiras manifestações do lipedema costumam surgir em períodos marcados por grandes mudanças hormonais, como puberdade, gestação, uso de anticoncepcionais hormonais ou menopausa.

Nessas fases, mulheres geneticamente predispostas podem notar o início ou a intensificação de sintomas como dor, aumento de volume nos membros e sensação constante de peso nas pernas ou braços.

Além disso, processos inflamatórios persistentes e níveis elevados de estresse interferem no funcionamento do tecido adiposo e do sistema linfático, contribuindo para a progressão da doença.

Importância do diagnóstico precoce no manejo do lipedema

O reconhecimento precoce do lipedema é considerado determinante para o controle da doença. Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as chances de reduzir a dor, melhorar a mobilidade e retardar sua evolução.

O manejo adequado envolve acompanhamento médico especializado, ajustes no estilo de vida, controle da inflamação, prática de atividade física orientada e, em alguns casos, intervenções terapêuticas específicas.

A conscientização da população e dos profissionais de saúde é apontada como um passo fundamental para reduzir o subdiagnóstico e promover uma abordagem mais humanizada e eficaz.

Reconhecimento internacional e mobilização por políticas públicas

O lipedema foi oficialmente reconhecido como doença pela OMS em 2019. A implementação da CID-11 está prevista para 2027, período necessário para a atualização dos sistemas de saúde e capacitação dos profissionais.

O reconhecimento reforça que o lipedema não se trata de obesidade nem de uma condição estética, mas de uma enfermidade crônica com impactos físicos, emocionais e sociais.

No Brasil, iniciativas como o Movimento Lipedema, ligado ao Instituto Lipedema Brasil, têm impulsionado campanhas nacionais para ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento. As ações incluem materiais informativos gratuitos e mobilização social para a inclusão do tratamento nas políticas públicas, nos planos de saúde e no Sistema Único de Saúde (SUS).

Principais manifestações clínicas e sinais de alertas

  • Acúmulo desproporcional de gordura em pernas e/ou braços
  • Dor espontânea ou ao toque leve
  • Inchaço persistente, que não regride totalmente com repouso
  • Sensibilidade aumentada e sensação de peso
  • Surgimento frequente de hematomas
  • Dificuldade de redução de volume mesmo com dieta e exercícios
  • Piora dos sintomas em fases de alteração hormonal
Avaliação clínica é fundamental

O diagnóstico do lipedema é essencialmente clínico e se baseia na avaliação médica detalhada e na escuta cuidadosa da história da paciente. Não há um exame único capaz de confirmar a doença.

O processo diagnóstico costuma incluir:

  • Análise dos sintomas e do histórico familiar
  • Avaliação da distribuição da gordura corporal
  • Observação da presença de dor, sensibilidade e hematomas
  • Exclusão de condições como obesidade comum, linfedema e insuficiência venosa

Exames de imagem, como ultrassonografia ou ressonância magnética, podem ser utilizados como apoio diagnóstico, especialmente para diferenciar o lipedema de outras patologias, mas não substituem a avaliação clínica especializada.

O post Lipedema: o que são os gatilhos inflamatórios da doença crônica reconhecida pela OMS apareceu primeiro em Sou Enfermagem.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *