Infarto e AVC estão ligados a apenas 4 fatores de risco

Um estudo internacional de larga escala trouxe uma revelação contundente para a saúde pública: quase a totalidade dos eventos cardiovasculares graves não ocorre por “azar”. Segundo a pesquisa, 99% das pessoas que sofrem infarto ou AVC já apresentavam pelo menos um de quatro fatores de risco conhecidos anos antes do episódio.

O levantamento, publicado no prestigiado Journal of the American College of Cardiology, acompanhou mais de 9 milhões de pessoas entre 2009 e 2022. Os dados mostram que esses eventos raramente são imprevisíveis e, em sua maioria, poderiam ter sido evitados com monitoramento preventivo.

Os 4 vilões do coração: O que monitorar?

A pesquisa identificou que quatro condições clássicas estão por trás de quase todos os diagnósticos de insuficiência cardíaca, derrame e ataque cardíaco. São eles:

  1. Hipertensão Arterial: O fator mais perigoso e frequente. A pressão alta danifica as artérias silenciosamente, sendo detectada em mais de 93% dos pacientes que infartaram.
  2. Colesterol Elevado: O acúmulo de gordura nas paredes arteriais obstrui a passagem do sangue, afetando diretamente o coração e o cérebro.
  3. Glicose Alta: Níveis elevados de açúcar no sangue (mesmo em estágios pré-diabéticos) causam inflamações severas nos vasos sanguíneos.
  4. Tabagismo: O hábito de fumar acelera o envelhecimento vascular e é um gatilho potente para a formação de coágulos.

A “falsa segurança” de quem é jovem ou mulher

Um dos pontos de maior destaque no estudo é que a regra se aplica a todos, independentemente do perfil. Mesmo entre mulheres com menos de 60 anos — grupo muitas vezes considerado de baixo risco — mais de 95% já demonstravam sinais de alerta antes de um evento cardiovascular grave.

Além disso, a pesquisa revelou que a grande maioria dos pacientes (entre 93% e 97%) não tinha apenas um problema, mas acumulava dois ou mais fatores de risco simultaneamente.


O poder da prevenção: Fatores modificáveis

A boa notícia é que todos os quatro fatores citados são modificáveis. De acordo com o cardiologista Philip Greenland, colaborador da pesquisa, os dados provam que há uma “janela de oportunidade” enorme para evitar mortes.

“A presença desses sinais antes dos eventos é quase universal. Isso significa que temos espaço para intervir antes que o pior aconteça”, afirma o especialista.

Como se proteger?

O estudo reforça que o controle desses índices através de mudanças no estilo de vida é a estratégia mais eficaz. Isso inclui:

  • Redução do consumo de sal e açúcar;
  • Prática regular de exercícios físicos;
  • Cessação do tabagismo;
  • Check-ups anuais para monitorar pressão, colesterol e glicemia.

Monitorar esses quatro indicadores não é apenas uma recomendação médica de rotina, mas a forma mais garantida de não fazer parte das estatísticas de doenças que mais matam no mundo.

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