Um avanço científico internacional está mudando a forma como compreendemos a esclerose múltipla (EM). Utilizando algoritmos de Inteligência Artificial (IA), pesquisadores da University College London (UCL) conseguiram identificar dois novos tipos biológicos da doença, baseados na análise cruzada de exames de sangue e ressonâncias magnéticas.
A descoberta, publicada na revista científica Brain, explica por que a EM evolui de forma tão agressiva em alguns pacientes e de maneira silenciosa em outros, permitindo tratamentos muito mais personalizados no futuro.
O que é a Esclerose Múltipla e como ela age?
A esclerose múltipla é uma condição crônica e autoimune do sistema nervoso central. Nela, as defesas do corpo atacam a mielina — a capa protetora que envolve os neurônios. Quando essa proteção é danificada, a comunicação entre o cérebro e o corpo é prejudicada, gerando sintomas como:
- Dificuldade de coordenação motora e fraqueza;
- Alterações na fala e visão;
- Formigamentos e fadiga crônica.
A doença afeta principalmente adultos entre 20 e 40 anos, sendo mais prevalente em mulheres.
A Tecnologia por trás da descoberta: O Marcador sNfL
O diferencial do estudo foi o foco na proteína sNfL (cadeia leve de neurofilamento sérico). Essa substância funciona como um “termômetro” de lesão nervosa: quando um neurônio é danificado, a proteína é liberada na corrente sanguínea.
Ao alimentar uma IA com dados de mais de 600 pacientes, cruzando os níveis dessa proteína com imagens cerebrais, os cientistas mapearam dois padrões distintos:
1. Perfil sNfL Precoce (Agressivo)
Pacientes que apresentam altos níveis da proteína logo no início do diagnóstico. A IA detectou lesões rápidas nas conexões entre os hemisférios cerebrais, indicando uma evolução mais ativa que exige tratamento intensivo imediato.
2. Perfil sNfL Tardio (Silencioso)
Neste grupo, o dano ocorre de forma lenta e profunda. O cérebro apresenta atrofia em áreas internas antes mesmo da proteína subir no sangue. É uma forma “sorrateira” da doença, onde os sinais biológicos aparecem apenas em estágios mais avançados.
O que muda para o paciente na prática?
De acordo com especialistas em neuroimunologia, essa nova classificação não altera o diagnóstico em si, mas redefine o prognóstico. Saber em qual grupo o paciente se encaixa permite ao médico:
- Ajustar a vigilância: Monitorar com mais frequência quem tem o perfil agressivo.
- Escolha do medicamento: Definir se o tratamento deve ser focado em imunomoduladores mais potentes desde o primeiro dia.
- Prever o futuro: Antecipar o risco de incapacidade física e agir preventivamente.
Barreiras para o uso rotineiro
Apesar do otimismo, o exame de sangue para dosar a sNfL ainda é caro e não está disponível na rede pública ou em todos os planos de saúde. Além disso, os níveis da proteína podem subir por outros motivos (como um trauma físico), o que exige que o resultado seja interpretado sempre em conjunto com a ressonância magnética.
O futuro da Medicina Personalizada
A aplicação da Inteligência Artificial na neurologia ajuda a enxergar padrões “invisíveis” ao olho humano. No médio prazo, a expectativa é que softwares de IA auxiliem médicos em consultórios a integrar dados laboratoriais e de imagem para tomar decisões em tempo real, garantindo que nenhum paciente receba um tratamento insuficiente ou excessivo.
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