Guia atualizado aponta evolução no rastreamento do HPV no país

Como parte das ações do Janeiro Verde, a Fundação do Câncer lançou a versão atualizada do seu Guia Prático de Prevenção do Câncer do Colo do Útero. A grande novidade desta edição é a orientação sobre a transição tecnológica no Sistema Único de Saúde (SUS): a substituição gradativa do tradicional exame Papanicolau pelo moderno teste molecular de DNA-HPV.

A mudança coloca o Brasil em alinhamento com protocolos internacionais de países referência, como a Austrália, visando a eliminação da doença como problema de saúde pública até 2030.

Enquanto o Papanicolau (citologia) busca identificar alterações nas células que já foram causadas pelo vírus, o novo teste molecular detecta a presença do vírus HPV de alto risco antes mesmo de qualquer lesão surgir.

Principais diferenças para a paciente:

  • Maior Precisão: O teste molecular é automatizado e possui 99% de segurança. Se o resultado for negativo, a chance de desenvolver lesões nos próximos cinco anos é quase nula.
  • Intervalo Prolongado: No método antigo, o exame deve ser anual (ou trienal após dois negativos). Com o teste de DNA-HPV, o intervalo de rastreamento sobe para 5 anos, devido à sua alta sensibilidade.
  • Público-Alvo: No Brasil, a recomendação permanece para mulheres e pessoas com colo do útero entre 25 e 64 anos.

Estratégia dos Três Pilares (Metas OMS 2030)

O Brasil reforçou seu compromisso com a Estratégia Global da Organização Mundial da Saúde (OMS), baseada em três frentes fundamentais:

  1. Vacinação (Prevenção Primária): Meta de imunizar 90% das meninas até os 15 anos. Em 2026, o foco está no “resgate” de adolescentes entre 15 e 19 anos que perderam o prazo vacinal. Vale lembrar: o SUS oferece dose única para jovens de 9 a 14 anos.
  2. Rastreamento (Prevenção Secundária): Meta de cobrir 70% das mulheres com o teste molecular de alta performance. A implementação no SUS começou por 12 estados e está em franca expansão neste primeiro semestre.
  3. Tratamento (Cuidado Integral): Garantir que 90% das mulheres com lesões detectadas recebam tratamento oportuno. “Não basta mudar o teste, é preciso estruturar toda a rede de cuidado”, ressalta a Dra. Flávia Corrêa, consultora da Fundação do Câncer.

O que acontece se o teste der positivo?

O novo protocolo define fluxos claros dependendo do tipo de HPV detectado:

  • HPV 16 ou 18 (alto risco): Encaminhamento imediato para colposcopia (exame detalhado com lentes de aumento).
  • Outros 12 tipos de HPV: É realizada uma “citologia reflexa”. Se houver alteração, segue para colposcopia. Se estiver normal, a paciente repete o teste de HPV em um ano, e não em cinco.

Vacinação: Quem tem direito no SUS?

Além da faixa etária escolar (9 a 14 anos), a vacina quadrivalente gratuita está disponível para grupos prioritários até os 45 anos, incluindo:

  • Pessoas vivendo com HIV/Aids;
  • Transplantados de órgãos ou medula;
  • Pacientes oncológicos;
  • Vítimas de violência sexual;
  • Usuários de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV).

Para mulheres fora desses grupos e acima de 20 anos, a vacinação é feita em três doses e está disponível apenas na rede privada.

O post Guia atualizado aponta evolução no rastreamento do HPV no país apareceu primeiro em Sou Enfermagem.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *