Família pede justiça após morte de professor norte-americano atendido repetidas vezes em UPAs no interior de São Paulo

A morte do professor norte-americano Clinton Ernest Craddock, de 43 anos, em São José do Rio Preto (SP), provocou comoção, indignação e levantou questionamentos sobre a qualidade do atendimento em unidades de urgência e emergência. Após procurar ajuda médica diversas vezes e receber diagnósticos considerados equivocados, ele morreu em decorrência de uma apendicite aguda com infecção generalizada. A família agora cobra respostas e pede justiça.

Professor procurou atendimento por dias seguidos antes de morrer

Clinton morava no Brasil desde 2017 e trabalhava como professor de idiomas. Segundo relatos da esposa, ele começou a sentir fortes dores abdominais cerca de uma semana antes da morte. Durante esse período, buscou atendimento médico em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) por vários dias consecutivos.

Nas primeiras consultas, ele recebeu alta após ser diagnosticado com gases, prisão de ventre, cólica renal e problemas intestinais, sem que a gravidade do quadro fosse identificada. Mesmo com a persistência e a intensificação da dor, Clinton foi liberado repetidas vezes.

Quadro se agravou até evoluir para infecção generalizada

Com a piora progressiva dos sintomas, incluindo vômitos e sinais claros de agravamento clínico, o professor retornou novamente à UPA. Apenas na última ida, já em estado grave, foi encaminhado para uma unidade hospitalar de maior complexidade.

Na Santa Casa de São José do Rio Preto, exames identificaram que o apêndice havia se rompido, provocando uma infecção generalizada. Clinton foi submetido a cirurgia de emergência e encaminhado à UTI, mas não resistiu às complicações.

Família denuncia possível falha no atendimento médico

A esposa do professor registrou um boletim de ocorrência e afirma que houve falha no atendimento nas unidades de pronto atendimento. Para ela, o caso não pode ser tratado como um episódio isolado.

“Não estou lutando apenas pelo meu marido, mas para que outras pessoas não passem pelo que ele passou”, afirmou. Segundo a família, os sinais clínicos já indicavam um quadro grave, que não foi devidamente investigado nas primeiras consultas.

Secretaria de Saúde afirma que caso será apurado

Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Saúde de São José do Rio Preto informou que o atendimento prestado ao paciente será apurado e que será avaliado se houve alguma condição clínica, comorbidade ou falha que possa ter interferido no diagnóstico e na condução do caso.

A pasta destacou que a investigação busca esclarecer todas as etapas do atendimento, desde as primeiras consultas até a transferência hospitalar.

Especialistas alertam para limites do sistema de urgência

Profissionais da área da saúde ouvidos durante a cobertura do caso destacaram que situações como essa revelam problemas estruturais no sistema de urgência e emergência, como sobrecarga das unidades, falta de exames complementares em tempo oportuno e limitação de recursos.

Segundo eles, a responsabilização não deve recair apenas sobre profissionais isolados, mas sobre o funcionamento do serviço como um todo, que precisa estar preparado para reconhecer sinais de gravidade e agir preventivamente.

Dor, indignação e cobrança por mudanças

A mãe de Clinton não conseguiu viajar ao Brasil para se despedir do filho. Durante o velório, familiares e amigos relataram não apenas a dor da perda, mas também a indignação diante do que consideram uma morte evitável.

A viúva reforçou que seguirá acompanhando as investigações e cobrando transparência. “O sistema existe, mas precisa funcionar com humanidade. Não é só número, é vida”, declarou.

Caso reacende debate sobre diagnóstico precoce e segurança do paciente

A morte de Clinton Craddock reacende um debate sensível sobre diagnóstico precoce, segurança do paciente e a necessidade de protocolos mais rigorosos em atendimentos de dor abdominal, um sintoma comum, mas que pode esconder condições potencialmente fatais.

Enquanto as investigações seguem, a família espera que o caso resulte em responsabilização, aprendizado institucional e mudanças que evitem novas tragédias semelhantes.

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