Escala SOFA (Sequential Organ Failure Assessment): avaliação de disfunções orgânicas e importância para a enfermagem

A Escala SOFA (Sequential Organ Failure Assessment) é uma das ferramentas mais relevantes na avaliação de pacientes graves, principalmente em contextos de sepse e internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Criada na década de 1990 por um grupo de especialistas europeus, sua principal função é mensurar a gravidade da falência orgânica de forma dinâmica, permitindo monitorar a evolução clínica e apoiar decisões terapêuticas.

Para a enfermagem, compreender e aplicar a Escala SOFA é fundamental, já que ela faz parte de protocolos internacionais, como a Sepsis-3, e ajuda a identificar precocemente pacientes em risco de deterioração clínica.


O que é a Escala SOFA?

A Escala SOFA avalia o funcionamento de seis sistemas orgânicos fundamentais (respiratório, coagulação, fígado, cardiovascular, sistema nervoso central e renal). Cada sistema recebe uma pontuação de 0 a 4, conforme o grau de comprometimento, resultando em um escore total que varia de 0 a 24 pontos.

Quanto maior a pontuação, maior a gravidade do quadro clínico e maior o risco de mortalidade.


Estrutura da Escala SOFA

Os seis domínios avaliados são:

  1. Respiratório
  • Avaliado pela relação PaO₂/FiO₂.
  • Quanto menor a relação, maior o grau de comprometimento da oxigenação.
  1. Coagulação
  • Medida pelo número de plaquetas.
  • Redução importante indica risco de sangramento e gravidade da sepse.
  1. Fígado
  • Avaliado pela bilirrubina sérica total.
  • Valores elevados refletem disfunção hepática.
  1. Cardiovascular
  • Considera a pressão arterial média (PAM) e a necessidade de drogas vasopressoras.
  • Quanto maior a dependência de suporte farmacológico, maior a pontuação.
  1. Sistema nervoso central
  • Mensurado pelo escore da Escala de Coma de Glasgow (ECG).
  • Rebaixamentos mais graves aumentam a pontuação.
  1. Renal
  • Avaliado pela creatinina sérica e/ou diurese.
  • Alterações importantes refletem insuficiência renal aguda.

Interpretação dos resultados

  • SOFA 0 a 6: Disfunção leve.
  • SOFA 7 a 12: Disfunção moderada.
  • SOFA 13 a 20: Disfunção grave.
  • SOFA 21 a 24: Disfunção muito grave, com alta mortalidade.

Na prática, um aumento de ≥ 2 pontos em pacientes com suspeita de infecção já é considerado indicativo de sepse, segundo a definição do Sepsis-3.


Como aplicar a Escala SOFA na prática de enfermagem

  1. Coletar dados laboratoriais e clínicos: gasometria arterial, exames de sangue (plaquetas, bilirrubina, creatinina), sinais vitais e nível de consciência.
  2. Pontuar cada sistema: atribuir de 0 a 4 pontos conforme parâmetros definidos.
  3. Somar a pontuação total: obter o escore final.
  4. Registrar no prontuário: detalhar cada domínio, não apenas a soma.
  5. Reavaliar periodicamente: geralmente a cada 24 horas, ou sempre que houver mudanças clínicas.

Exemplo prático

Paciente séptico apresenta:

  • PaO₂/FiO₂ = 180 (2 pontos).
  • Plaquetas = 80.000/mm³ (2 pontos).
  • Bilirrubina = 3 mg/dL (1 ponto).
  • Uso de noradrenalina em dose moderada (3 pontos).
  • ECG = 12 (2 pontos).
  • Creatinina = 2,2 mg/dL (2 pontos).

Pontuação total = 12 pontos → disfunção grave, exigindo vigilância intensiva e medidas terapêuticas agressivas.


Importância da SOFA na enfermagem

A Escala SOFA auxilia a equipe de enfermagem em diversos aspectos:

  • Monitorização contínua: detectar precocemente deteriorações clínicas.
  • Tomada de decisão rápida: apoiar médicos e enfermeiros na definição de condutas.
  • Segurança do paciente: identificar necessidade de cuidados intensivos.
  • Gestão da qualidade: padronizar registros e facilitar auditorias clínicas.

Erros comuns na aplicação

  • Somar a pontuação sem detalhar cada sistema.
  • Ignorar fatores que alteram exames (sedação, medicações).
  • Não reavaliar periodicamente, limitando a análise a um único momento.

Estratégias complementares

Em contextos de emergência, utiliza-se o qSOFA (quick SOFA), versão simplificada para triagem rápida à beira-leito, composta por três critérios:

  1. Frequência respiratória ≥ 22 irpm.
  2. Pressão arterial sistólica ≤ 100 mmHg.
  3. Alteração do estado mental.

Se dois ou mais critérios estiverem presentes, o paciente deve ser avaliado com maior atenção para risco de sepse.


Conclusão

A Escala SOFA é indispensável no manejo de pacientes graves, especialmente com sepse. Ela permite mensurar de forma objetiva a disfunção orgânica, monitorar tendências ao longo do tempo e orientar condutas terapêuticas. Para a enfermagem, aplicar e registrar corretamente a escala é essencial para garantir a segurança do paciente e fortalecer a qualidade assistencial dentro das UTIs.


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📌 Fonte: Sou Enfermagem – @souenfermagem |

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