Erro de diagnóstico de apendicite em UPA termina em morte e vira alvo de investigação

A morte do professor de inglês Clinton Cradó, de 43 anos, entrou no radar de apuração oficial após uma sequência de atendimentos na UPA Norte, em São José do Rio Preto (SP). Segundo o relato da família, ele procurou a unidade três ou quatro vezes com fortes dores abdominais, recebeu alta médica em todas as idas anteriores e, na última tentativa, já em estado crítico, foi transferido para a Santa Casa. Lá, os médicos constataram que o apêndice havia rompido há dias, provocando infecção generalizada (sepse), com comprometimento de órgãos.

A Secretaria de Saúde abriu sindicância e a viúva registrou boletim de ocorrência por suspeita de negligência médica.

Quem era Clinton Cradó

Clinton Cradó era professor de inglês, conhecido pela atuação no ensino de idiomas. A morte dele gerou comoção e reforçou um debate sensível: como serviços de urgência lidam com casos de dor abdominal persistente e com retornos repetidos do mesmo paciente em curto intervalo.

O que aconteceu segundo o relato da família

De acordo com as informações iniciais, Clinton buscou atendimento na UPA Norte por causa de dor abdominal intensa. No entanto, em atendimentos anteriores, ele teria recebido alta com hipóteses consideradas menos graves, como:

  • Gases
  • Cólica renal
  • Intestino preso

A família afirma que a dor continuou e se agravou. Na última ida, Clinton já apresentava sinais de piora importante. A transferência para a Santa Casa ocorreu quando a condição era crítica.

Principais datas do caso

Os fatos centrais, conforme relatado, têm um marco principal já definido:

  • 19 de janeiro – Data do óbito de Clinton Cradó, após evolução para sepse relacionada à apendicite.

Além disso, a investigação considera um ponto-chave do histórico:

  • Dias anteriores ao óbito – Clinton teria procurado a UPA Norte por três ou quatro vezes com dor abdominal intensa, com altas sucessivas.

A apuração deve detalhar, com base em prontuários, as datas exatas de cada atendimento, horários, exames realizados, medicações aplicadas e orientações dadas na alta.

O que foi constatado na Santa Casa

Na Santa Casa, a equipe identificou que o quadro não era compatível com um problema leve. A avaliação concluiu que:

  • O apêndice havia rompido
  • O rompimento teria ocorrido há dias
  • A infecção evoluiu para sepse, com comprometimento de órgãos

Esse tipo de evolução pode ocorrer quando um quadro abdominal grave não é identificado a tempo ou quando o paciente piora rapidamente entre atendimentos.

Por que a dor abdominal pode confundir e ainda assim exige cautela

Dor abdominal é um dos sintomas mais comuns em pronto atendimento. Ela pode ter causas simples, mas também pode indicar emergências. Por isso, a prática segura costuma exigir três pilares:

  1. Exame clínico completo e bem documentado
  2. Reavaliação quando há persistência ou retorno do paciente
  3. Orientação de alta com sinais de alerta claros

Quando o paciente volta várias vezes, o serviço precisa tratar o retorno como um sinal de risco. Em muitos protocolos, retornos repetidos reforçam a necessidade de reexaminar hipóteses e reavaliar gravidade.

O que a sindicância deve apurar

A sindicância aberta pela Secretaria de Saúde tende a focar em pontos objetivos, baseados em registros. Entre os temas que normalmente entram na análise, estão:

  • Como a queixa foi registrada e se houve descrição adequada do padrão da dor
  • Sinais vitais em cada atendimento e a evolução clínica registrada
  • Exame físico abdominal e achados documentados
  • Hipóteses diagnósticas levantadas em cada ida e a justificativa das decisões
  • Solicitação de exames laboratoriais e de imagem quando indicados
  • Critérios para alta e se havia plano de retorno seguro
  • Orientações na alta, incluindo sinais de alarme e prazo para reavaliação
  • Fluxo assistencial da UPA em situações de dor abdominal persistente

Esse tipo de apuração também avalia se houve falha de processo, como falta de padronização, sobrecarga e lacunas em triagem, reavaliação e comunicação.

O que diz a família e quais medidas já foram tomadas

A família sustenta a suspeita de que houve falha no diagnóstico e que as altas sucessivas contribuíram para o desfecho. A viúva registrou boletim de ocorrência por suspeita de negligência médica, o que abre caminho para apuração paralela no âmbito policial, além da análise administrativa.

Entenda o que é sepse e por que ela é tão grave

A sepse, conhecida popularmente como “infecção generalizada”, ocorre quando uma infecção desencadeia uma resposta intensa do organismo e pode levar a disfunção de órgãos. Em quadros abdominais, especialmente quando há infecção dentro da cavidade abdominal, a sepse pode evoluir rápido e exigir intervenção imediata.

Sinais de alerta que exigem reavaliação imediata

Em termos de orientação pública e segurança do paciente, serviços costumam tratar como sinais de risco:

  • Dor abdominal progressiva e que não melhora
  • Febre ou febre que surge após piora
  • Vômitos persistentes e incapacidade de ingerir líquidos
  • Prostração intensa, confusão ou piora do estado geral
  • Abdome muito doloroso ao toque ou com rigidez
  • Qualquer piora importante após alta, especialmente com retorno repetido

Esses sinais não fecham um diagnóstico sozinhos, mas indicam necessidade de nova avaliação.

Próximos passos e expectativa de esclarecimento

A tendência é que a sindicância avance com a análise de prontuários e depoimentos para esclarecer:

  • O que foi registrado em cada atendimento
  • Quais condutas foram adotadas e por quê
  • Se o caso seguiu protocolos de segurança
  • Se houve falha individual, falha de fluxo ou combinação de fatores

Enquanto isso, a família pede respostas e a investigação deve indicar, ao final, se houve ou não conduta inadequada e quais providências administrativas serão tomadas.

O post Erro de diagnóstico de apendicite em UPA termina em morte e vira alvo de investigação apareceu primeiro em Sou Enfermagem.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *