Diferente do que o senso comum sugere, a Medicina Paliativa não trata apenas da fase final da vida. Estudos científicos recentes, incluindo dados publicados no prestigiado jornal médico JAMA, revelam que a introdução precoce de cuidados paliativos pode aumentar a sobrevida do paciente oncológico e melhorar significativamente a sua percepção de bem-estar.
A abordagem, definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é um suporte multidisciplinar que visa aliviar o sofrimento em todas as suas dimensões: física, emocional, social e espiritual.
Por que a paliatividade aumenta a longevidade?

A ciência demonstra que o controle rigoroso de sintomas como dor, falta de ar e náuseas, somado ao suporte psicológico, reduz o estresse biológico do organismo.
De acordo com a Dra. Isabela Schiffino, especialista da Oncologia D’Or, “o paciente com controle efetivo de seus sintomas vive mais e melhor. Não falamos sobre morte, mas sobre dignificar cada dia de vida”.
Evidências científicas de impacto:
- Aumento da Sobrevida: Um estudo do JAMA com pacientes com câncer avançado mostrou que aqueles que receberam intervenções paliativas sistemáticas viveram, em média, dois anos a mais do que o grupo que recebeu apenas o tratamento convencional.
- Saúde Mental: Uma pesquisa norte-americana com pacientes de câncer de pulmão metastático revelou que a incidência de depressão caiu de 38% para 16% entre aqueles que receberam suporte paliativo precoce.
- Qualidade de Vida: Testes realizados na Bélgica com pacientes oncológicos confirmaram que, em apenas 12 semanas, os indicadores de qualidade de vida foram superiores no grupo assistido pela medicina paliativa.
O “Guarda-Chuva” da Medicina Paliativa
Os cuidados paliativos funcionam como uma proteção contra as “tempestades” causadas pelo diagnóstico e pelos efeitos colaterais dos tratamentos. Para que essa proteção seja eficaz, é necessária uma equipe diversa, composta por:
- Médicos e Enfermeiros;
- Psicólogos e Assistentes Sociais;
- Fisioterapeutas e Fonoaudiólogos;
- Nutricionistas, Farmacêuticos e Capelania.
Desmistificando o conceito: Não é sobre desistir
Um dos maiores desafios da área ainda é o preconceito. Muitos pacientes acreditam que o encaminhamento para a equipe de paliativos significa que a medicina “desistiu” da cura.
No entanto, a Medicina Paliativa é uma área reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) há 15 anos e, desde 2022, é obrigatória na grade curricular de Medicina no Brasil. O objetivo é integrar o tratamento curativo ao suporte de conforto, garantindo que o paciente nunca se sinta desassistido, independentemente do desfecho clínico.

Benefícios da abordagem precoce na Oncologia:
- Redução da sobrecarga: Menos idas à emergência por crises de dor ou falta de ar.
- Comunicação clara: Ajuda o paciente e a família a tomarem decisões baseadas em valores e na bioética.
- Suporte à família: Alivia o estresse dos cuidadores e familiares durante a jornada do tratamento.
A abordagem precoce na Oncologia permite diagnóstico mais rápido, tratamentos menos agressivos e maiores chances de cura ou controle da doença. Além disso, reduz complicações, melhora a qualidade de vida do paciente, diminui custos para o sistema de saúde e aumenta a sobrevida ao possibilitar intervenções em estágios iniciais do câncer.
O post Cuidados Paliativos precoces podem estender a vida de pacientes com câncer apareceu primeiro em Sou Enfermagem.
