Os cuidados de enfermagem em terapia infusional constituem a base prática para a segurança do paciente e para a eficácia dos tratamentos intravenosos. A atuação da enfermagem vai muito além da instalação do acesso venoso ou da administração de soluções e medicamentos.
Ela envolve vigilância contínua, prevenção de complicações, identificação precoce de eventos adversos e comunicação efetiva com a equipe multiprofissional. Nesse contexto, a responsabilidade técnica, ética e legal do enfermeiro e da equipe de enfermagem é determinante para a qualidade da assistência.
Prevenção de Flebites na Terapia Infusional
A flebite é uma das complicações mais frequentes da terapia infusional. Trata-se de uma inflamação da parede venosa que pode ter origem mecânica, química ou infecciosa. Os sinais clínicos mais comuns incluem dor, rubor, calor, edema e endurecimento do trajeto venoso.
A ocorrência da flebite está associada a fatores como:
- Escolha inadequada do calibre do cateter
- Tempo de permanência prolongado
- Osmolaridade ou pH das soluções
- Falhas na técnica asséptica
A prevenção exige seleção criteriosa do sítio de punção, uso do menor calibre possível compatível com a terapia, fixação adequada do cateter e inspeção frequente do local.
Infiltrações e Extravasamentos: Identificação Precoce
A infiltração ocorre quando a solução infundida extravasa para o tecido subcutâneo devido ao deslocamento ou perfuração da veia. Já o extravasamento refere-se à infiltração de soluções vesicantes ou irritantes, capazes de causar lesões graves, necrose e sequelas permanentes.
A enfermagem deve monitorar continuamente o sítio de infusão quanto a:
- Edema
- Palidez
- Dor ou desconforto
- Diminuição do fluxo
- Queixas do paciente
Ao primeiro sinal de complicação, a infusão deve ser interrompida imediatamente, seguindo-se as condutas previstas em protocolo e comunicação rápida à equipe multiprofissional.
Cuidados com Cateteres de Uso Prolongado
Os cateteres de uso prolongado, como PICC, cateteres centrais tunelizados e dispositivos totalmente implantáveis, são essenciais para terapias prolongadas, mas apresentam riscos importantes.
Entre as principais complicações estão:
- Infecção relacionada à corrente sanguínea
- Trombose
- Obstrução do lúmen
A enfermagem é responsável pela troca adequada de curativos com técnica estéril, pela desinfecção rigorosa das conexões antes de qualquer manipulação e pela manutenção da permeabilidade do cateter por meio de protocolos de lavagem e selagem.
Avaliação Diária do Acesso Venoso
A avaliação diária da necessidade de permanência do cateter é uma estratégia fundamental de segurança. Quanto maior o tempo de uso, maior o risco de complicações.
Além disso, a orientação ao paciente e à família sobre cuidados com o dispositivo, sinais de alerta e riscos da manipulação inadequada contribui significativamente para a prevenção de eventos adversos.
Técnica Asséptica como Pilar da Terapia Infusional
A manutenção da técnica asséptica é um princípio inegociável na terapia infusional. A contaminação do sistema pode resultar em infecções graves, aumentando a morbidade, a mortalidade e os custos assistenciais.
Práticas indispensáveis incluem:
- Higienização correta das mãos
- Uso adequado de equipamentos de proteção individual
- Antissepsia da pele e das conexões
- Manuseio cuidadoso dos materiais
Essas medidas devem ser adotadas em todas as etapas do cuidado.
Bundles de Infusão e Boas Práticas Assistenciais
Os bundles de infusão são estratégias baseadas em evidências para reduzir infecções relacionadas a dispositivos intravasculares. Eles consistem em um conjunto de medidas padronizadas aplicadas de forma sistemática.
Entre as principais ações estão:
- Escolha adequada do sítio de inserção
- Técnica asséptica rigorosa
- Troca de curativos conforme protocolo
- Desinfecção das conexões
- Revisão diária da necessidade do acesso
A adesão aos bundles depende diretamente do engajamento da equipe de enfermagem e do fortalecimento da cultura de segurança do paciente.
Identificação e Manejo de Reações Adversas
A identificação e o manejo de reações adversas são competências essenciais da enfermagem em terapia infusional. Essas reações podem variar de manifestações leves, como náuseas e prurido, até quadros graves, como reações alérgicas, anafilaxia, instabilidade hemodinâmica e choque.
A enfermagem deve estar preparada para reconhecer alterações clínicas precoces, interromper a infusão quando necessário e iniciar imediatamente as condutas de suporte previstas em protocolo institucional.
Monitorização Contínua do Paciente
A monitorização contínua é indispensável, especialmente em pacientes que recebem medicamentos de alta vigilância. Devem ser avaliados regularmente:
- Sinais vitais
- Nível de consciência
- Perfusão periférica
- Resposta clínica ao tratamento
A prontidão para intervenções emergenciais e a comunicação imediata com a equipe médica são fatores decisivos para a segurança do paciente.
Registro de Enfermagem e Comunicação Efetiva
O registro adequado em prontuário é um pilar da qualidade assistencial. Ele deve ser claro, completo, cronológico e fidedigno, contemplando:
- Tipo de acesso e local de inserção
- Data e horário
- Condições do sítio
- Soluções e medicamentos administrados
- Intercorrências e condutas adotadas
Esses registros possuem valor assistencial, ético e legal, além de subsidiarem auditorias e processos de melhoria contínua.
Comunicação Multiprofissional e Continuidade do Cuidado
A comunicação efetiva entre os membros da equipe multiprofissional é essencial para prevenir erros e garantir a continuidade do cuidado. Informações sobre o acesso venoso, alterações clínicas, ajustes terapêuticos e intercorrências devem ser transmitidas de forma clara, especialmente durante a passagem de plantão.
A comunicação estruturada, associada à monitorização contínua, fortalece a tomada de decisões seguras e oportunas.
Importância dos Cuidados de Enfermagem na Terapia Infusional
Os cuidados de enfermagem em terapia infusional vão muito além da execução de procedimentos técnicos. Eles envolvem vigilância constante, aplicação rigorosa de boas práticas, raciocínio clínico e compromisso ético com a segurança do paciente.
O domínio desses cuidados capacita o profissional de enfermagem a atuar de forma qualificada em diferentes contextos assistenciais, reduzindo riscos, prevenindo complicações e assegurando uma assistência segura, humanizada e baseada em evidências.
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