A celebração dos 35 anos da Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) em 2026 não é apenas um marco cronológico, mas um ponto de inflexão para a saúde renal no país. O balanço do último ano revela um setor que, embora tecnicamente avançado, opera sob um modelo de financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) que beira o colapso.
Em 2025, a nefrologia brasileira enfrentou um de seus períodos mais críticos, evidenciando a urgência de uma reforma estrutural no custeio da Terapia Renal Substitutiva (TRS).
O abismo entre custos reais e repasses do SUS
O principal gargalo identificado pela ABCDT e pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) é a defasagem histórica da Tabela SUS. Estudos técnicos lançados no último ano demonstram que o valor pago pelo governo federal não cobre os custos operacionais básicos das clínicas, que incluem insumos importados, energia elétrica e folha de pagamento especializada.
Radiografia da crise em 2025:
- Atrasos de Pagamento: Gestores públicos em diversas esferas enfrentaram dificuldades para repassar verbas, colocando clínicas em risco de fechamento.
- Desigualdade Regional: Estados que não possuem cofinanciamento estadual sofrem com a precariedade dos serviços em comparação a regiões com auxílio complementar.
- Barreiras de Acesso: Pela primeira vez, houve registros significativos de restrições na admissão de novos pacientes devido à falta de vagas sustentáveis.

Mobilização Nacional: “Viver é Urgente”
Para dar visibilidade ao problema, o setor intensificou campanhas como “Diálise é Direito. Reajuste é Dever” e “A Diálise Não Pode Esperar”. O objetivo foi traduzir para a sociedade o que os dados técnicos já apontavam: sem equilíbrio financeiro, a assistência vital a milhares de brasileiros está ameaçada.
A atuação institucional da ABCDT em 2025 também fortaleceu o diálogo com a Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Serviços de Saúde e o Ministério da Saúde, buscando incluir a saúde renal como pauta estratégica e não apenas emergencial.
O Caminho para a Sustentabilidade em 2026
Ao completar três décadas e meia de atuação, a ABCDT reforça que a diálise não deve ser tratada como um serviço isolado, mas como uma política de Estado contínua e previsível. Especialistas defendem quatro pilares para salvar o setor:
- Reajuste Imediato da Tabela SUS: Alinhamento dos valores aos custos reais de mercado.
- Cofinanciamento Estadual: Participação obrigatória dos estados no custeio da TRS.
- Segurança Jurídica: Garantia de contratos que protejam os prestadores de serviços.
- Previsibilidade Econômica: Mecanismos de ajuste automático conforme a inflação de insumos médicos.
“A diálise é uma terapia vital e contínua. Depende de planejamento e investimento permanente, e não de medidas paliativas tomadas apenas em momentos de colapso”, destaca a liderança do setor.
Com mais de 150 mil brasileiros dependentes de máquinas para sobreviver, o desafio para 2026 é transformar o diálogo institucional em soluções orçamentárias concretas, garantindo que o direito ao tratamento seja mantido com dignidade.
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