Adolescente morre por apendicite após ir oito vezes à UPA e ter diagnóstico inicial errado de infecção urinária

Mesmo passados meses, a morte da adolescente Lívia Goulart Belmiro, de 16 anos, continua provocando indignação e cobrando respostas em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O caso aconteceu em 2025, mas segue atual porque levantou uma pergunta que não perde força com o tempo: como uma jovem pode procurar atendimento repetidas vezes e ainda assim ter o diagnóstico correto confirmado apenas quando a situação já estava grave?

Segundo relato da família, Lívia buscou atendimento oito vezes na rede municipal antes de receber a confirmação de apendicite. A Prefeitura informou que abriu sindicância para apurar a conduta e revisar fluxos de atendimento. O episódio também repercutiu em outras frentes de apuração, como a atuação do Ministério Público, conforme noticiado à época.

Quem era Lívia Goulart Belmiro

Lívia era estudante e morava no bairro Mathias Velho, em Canoas. A família afirma que ela começou a procurar atendimento por sentir fortes dores abdominais e dor na região dos rins, com piora progressiva. Ainda assim, conforme a narrativa apresentada, o quadro inicial não teria sido conduzido como uma suspeita de abdome agudo que exige investigação cuidadosa e reavaliação frequente.

O que a família relata sobre as oito buscas por atendimento

De acordo com as informações divulgadas, sete das oito idas teriam ocorrido na UPA Liberty Dick Conter, conhecida como UPA Caçapava, e a outra na UBS Santo Operário. Ao longo dos atendimentos, a adolescente teria recebido mais de 10 medicamentos, incluindo condutas direcionadas a hipóteses como infecção urinária e até tratamento para ansiedade.

O ponto central do caso é que, mesmo com retornos repetidos e sintomas persistentes, o diagnóstico correto só teria sido confirmado após encaminhamento a um hospital e realização de tomografia.

Principais datas e por que elas importam em 2026

O caso é de 2025 e isso precisa ficar claro. Ainda assim, ele segue repercutindo em 2026 porque envolve discussão sobre segurança do paciente e qualidade do atendimento na urgência.

Março de 2025
Período em que, segundo o relato da família, Lívia teria buscado atendimento repetidas vezes, somando oito procuras em UPA e UBS.

3 de abril de 2025
Data em que Lívia foi internada no Hospital Nossa Senhora das Graças. Foi nesse contexto que a tomografia teria indicado apendicite.

9 de abril de 2025
Data do óbito, após evolução para infecção generalizada, associada ao quadro de apendicite.

Como a apendicite pode evoluir e por que a repetição de atendimentos é um alerta

Apendicite pode começar de forma inespecífica. Isso é conhecido. Porém, em serviços de urgência, alguns sinais costumam aumentar o nível de atenção, principalmente quando aparecem juntos: dor persistente, piora progressiva e retorno repetido em curto intervalo.

Por isso, o caso de Lívia chama atenção até hoje. A indignação não está apenas no desfecho. Ela está na sequência. Uma cadeia de atendimentos, com sintomas que não cessavam, e a confirmação diagnóstica acontecendo apenas depois, já em ambiente hospitalar, com exame de imagem.

O que uma sindicância costuma apurar em casos como este

Quando há sindicância, o foco geralmente é técnico e documental. O objetivo é entender se as condutas foram compatíveis com o quadro apresentado e com os protocolos esperados para urgência. Entre os pontos que costumam ser analisados, estão:

  1. Registros em prontuário de cada atendimento
    Queixa, exame físico, sinais vitais, evolução e reavaliações.
  2. Hipóteses diagnósticas e justificativas
    O que foi considerado em cada ida e por quais motivos.
  3. Critérios de alta e plano de retorno seguro
    Se a alta foi acompanhada de orientação clara, sinais de alerta e prazo de reavaliação.
  4. Indicação de exames e encaminhamentos
    Se houve necessidade de exames complementares e se houve critérios para solicitar ou não.
  5. Fluxo assistencial e falhas de processo
    Se o caso revela gargalos, sobrecarga, falhas de triagem, comunicação ou padronização.

Dor abdominal e sinais de alerta que exigem reavaliação imediata

O caso também reforça um recado simples para a população. Piora após alta não pode ser normalizada. Entre sinais que devem levar a reavaliação imediata, estão:

  • Dor abdominal que piora ou não melhora com o tempo
  • Febre ou mal-estar progressivo
  • Vômitos persistentes e dificuldade para hidratar
  • Fraqueza intensa e piora do estado geral
  • Dor importante ao caminhar, tossir ou ao toque no abdome
  • Retorno ao serviço mais de uma vez em pouco tempo pelo mesmo sintoma

Por que este caso continua atual em 2026

Mesmo sendo um episódio de 2025, a história de Lívia segue sendo lembrada porque toca em um tema sensível e urgente: segurança do paciente na porta de entrada do sistema de saúde. A cobrança por respostas não é só da família. Ela ecoa em quem já saiu de um pronto atendimento com dor e insegurança, e em quem acredita que retornar várias vezes não deveria ser necessário para que um quadro grave seja reconhecido.

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